Plataforma logística é assunto federal e não municipal
As plataformas logísticas são centros onde as atividades logísticas de transporte e armazenagem são agrupadas com o intuito de atender as demandas por distribuição e/ou captação de produtos em uma cidade, região e até um país.
Este conceito não é tão novo quanto parece e prova disso é que mesmo as pessoas menos familiarizadas com as terminologias e neologismos do ambiente da logística já ouviram esta expressão em alguma roda de conversa ou reuniões.
Alguns conseguem deduzir de forma aproximada o significado da expressão “plataformas logísticas”, mas poucos sabem o que deve ser feito para que uma plataforma logística assuma realmente a concepção e funcionamento de acordo com aquilo que é preconizado no estado da arte do conhecimento na área.
Isto acaba suscitando certa confusão no modo como uma plataforma deve ser planejada e implementada.
Quando se trata de agrupar as atividades de transporte, ainda prevalece uma idéia antiga ligada a instalação de antigos sítios, quando a logística ainda era desconhecida de muitos e onde as atividades se restringiam tão somente a empresas de transporte ou então a terminais meramente de transbordo multimodal.
Muitos exemplos afloram pelo país e até alguns nomes para esses terminais são conhecidos como: terminais de carga, terminais intermodais de carga e porto seco.
Para piorar a situação, muitos utilizam a palavra logística sem compreender o seu real significado e acabam literalmente travestindo as antigas idéias de “porto seco” em “plataformas logísticas”.
Este é o caso de alguns municípios do país, onde prefeitos ávidos por lançar projetos que tenham impacto político relevante, colocam nas suas plataformas eleitorais a construção de “plataformas logísticas” que não passam de um mero porto seco. Um porto seco não passa de uma área destinada a transportadoras.
Plataformas logísticas necessitam de um bom planejamento prévio, partindo de uma análise profunda atual e futura das demandas geradas pela base geográfica sob sua influência. Isto requer muita pesquisa junto ás empresas e a demanda de consumo final, onde o uso de modelagem matemática é parte fundamental para determinação de infra-estrutura (localização, dimensionamento da área, acessibilidade, perfil de operadores, sustentabilidade social, etc.).
Com base nos dados quantitativos é possível iniciar os projetos de engenharia para posterior implementação.
Pelo que se têm lido até o momento na mídia especializada, verifica-se que muitos locais destinados a instalação de plataformas logísticas não evoluíram da terraplanagem ou construção de alguns galpões.
Percebe-se que o estudo para instalação de plataformas logísticas não está sendo realizado de modo adequado (se é que existiu), sugerindo que o projeto (por carecer de estudo prévio), não passava de uma mera promessa política, algo que por mais que tentamos nos livrar, infelizmente persiste.
Penso que a construção de plataformas políticas deveria ser regulamentada pelo poder público federal, com base em estudos científicos realizados pelo meio acadêmico.
Dessa forma é possível estancar os improvisos eleitoreiros que alguns prefeitos insistem em praticar e realmente prover o país de competitividade logística socialmente sustentável.
Fonte: newslog.com.br


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